2016 inicia com uma Catarse (purificação do espírito do espectador através da purgação de suas paixões). Dessa vez, a música Considerações, da banda Forfun (claro).

Para quem só quer escutar, é uma música simples e direta, e dá pra bem entender. No entanto, com uma análise mais aprofundada, podemos entender o que o(s) autor(es) quis(eram) dizer com cada parágrafo. Acredito que eu não estou abrangendo todo o potencial que a música tem, porque, como ser humano, tenho limitações. Por essa razão, adoraria ver as considerações sobre Considerações de vocês aí embaixo, nos comentários.

Considerações

Forfun

Espero que me entendam
Que não me ofendam e nem me prendam
Eu vim com a melhor das intenções

(Iniciar um argumento com esse tipo de pedido já mostra uma certa humildade da pessoa. Não quero entrar em polêmicas sobre a banda em si, os integrantes e suas questões, mas, de fato, esse é um pedido válido, como se dissesse: “olha, eu vou falar umas coisas, você pode não gostar ou não entender, mas conto com meu direito de me expressar”)

E sigo por trajetória
Que corre infrene rumo à glória
Mas tenho algumas considerações

(Até eu decidir fazer essa análise, eu não entendia o que ele falava em “infrene”, ouvia como “in frame”, mas foi só googar que encontrei  que “infrene” é simplesmente “desenfreado”. Perfeito. Nessa parte, eu entendo que ele esteja caminhando para o sucesso, fazendo as escolhas que mais lhe fazem bem. Mas ele tem algumas considerações:)

Não vou levantar bandeira
Que delimite qualquer fronteira
E nem concordar com tudo
O que se diz por aí

(Defender rigidamente partidos, instituições, lados… Essa é a fórmula exata para o conflito. Precisamos ser flexíveis. Podemos ter nossas bandeiras, desde que não nos deixe em uma caixa, de onde não podemos sair. Podemos ser a favor de (ou contra!) algo, mas não precisamos e não devemos, nos fechar para possibilidades. Primeiro porque estamos mudando a todo momento, depois porque a opinião fechada nos limita a ser algo específico. Muitos de nós não estão satisfeitos com rótulos e opiniões fechadas, somos livres, sem fronteiras. Além disso, dizem que a unanimidade é burra, por isso não devemos mesmo concordar com tudo sem refletir. O importante é termos nossa própria experiência e resignificar as opiniões dos outros para o que faz sentido para nós. Repetir que nem um papagaio é fácil, difícil é pensar por si – mas é muito mais gratificante.)

Pra tudo existe um oposto
Não se discutem questões de gosto
Então cuidado ao interferir

(Não existe certo. Não existe uma única forma de se fazer as coisas. Para umas pessoas, funciona de uma forma; para outras pessoas, as coisas funcionam da forma oposta. Nós temos que aceitar o gosto de cada um, respeitar o livre-arbítrio. Em relação a interferência, já existem leis e regras gerais que impedem que uma pessoa faça algo de ruim para outras pessoas, por exemplo, cometer crimes. Interferir, nesse caso, pode ser até mesmo interpretado como fazer justiça com as próprias mãos, nos casos mais drásticos. Como eu sigo uma linha espiritualista para falar sobre as coisas da vida, há um tempo já faço um trabalho de não me preocupar com a opinião dos outros, mesmo em relação a coisas que, na minha opinião, seria crucial para a evolução da humanidade. Eu me dei conta que eu não posso mudar as outras pessoas, que cada um tem sua razão para agir da forma de age e que eu não posso perder minha paz por isso. Eu tenho controle do que eu sinto, só posso mudar eu mesma. Estou falando de um jogo de futebol, de política, de religião e de polêmicas – a legalização das drogas e do aborto, por exemplo. Cada um tem sua opinião, sua bagagem e as pessoas simplesmente não vão mudar. No entanto, quando se trata de uma sacanagem, crimes e outros temas mais sérios, temos maneiras de resolver sem enfiar o dedo na cara da pessoa e perder a paz. Eventualmente, devo escrever sobre isso de forma mais aprofundada e dar exemplos do que se pode fazer. Eu, por exemplo, tinha muita raiva quando os homens mexiam comigo na rua, mas agora eu não tenho mais raiva, aprendi a ter compaixão. Não deixei de militar a favor de uma educação e informação a esses homens, mas faço isso de forma mais amorosa, agora. Tento educar os homens de como nós, mulheres, gostamos de ser tratadas. Às vezes eu ainda me pego brigando com algum homem para que eles entendam, mas agora diminuiu a frequência que isso acontece, principalmente se é um cara que está só passando por mim (é muito mais difícil conversar sobre minhas opiniões com parentes e amigos, mas enfim, faz parte…). Envio amor para eles, porque é disso que eles precisam, e eu também.)

Sabe-se lá por que tudo é assim
Mas nem poderia ser de um outro jeito
O mundo como hoje vemos
É aquele que concebemos
Então tudo nesse instante se faz perfeito

(A música já é toda perfeita, aí começa essa parte e fica mais que perfeita. Algumas pessoas que eu acompanho como autores e youtubers que falam sobre espiritualidade, paz interior e felicidade costumam dizer, e eu concordo por experiência própria, que nossa maior fonte de sofrimento é a nossa resistência ao que está acontecendo aqui e agora. Explico melhor, fazendo a interpretação da música: não sabemos exatamente o motivo das coisas que acontecem, acontecerem. Coisas ruins, porque queremos que coisas boas aconteçam mesmo sem explicação, não é?! No entanto, elas acontecem exatamente como têm que acontecer para nosso aprendizado, desenvolvimento e evolução – como indivíduo e/ou como humanidade. Quando “resistimos ao que é”, perdemos nossa paz e nosso centro quando algo inesperado e negativo acontece, estamos em sofrimento. Quando não aceitamos, de forma nenhuma, o que está acontecendo, procuramos culpados, desculpas, razões para aquilo. Indignar-se com o mundo é preciso para que algo mude, mas lutar contra o que é não faz sentido. Como dizia Madre Teresa, precisamos fazer coisas a favor de algo que acreditamos ao invés de fazer algo contra o que não gostamos. Se queremos paz, precisamos agir em paz, e não lutar contra a guerra. Minha amada Flavia Melissa fala sobre resistência nesse vídeo, recomendo demais. Enfim, voltando a música, tudo é como deveria ser e nossa maior fonte de sofrimento é simplesmente resistir ao que é. Como aceitar sem se resignar? Eu tentei explicar um pouco disso aqui. É um exercício diário e cada situação e pessoa é única, mas aprender lições com as coisas ruins já me ajuda muito nesse processo. Sobre as últimas duas linhas dessa parte, tem muito a ver com a lei da atração. Nós atraímos o que somos e, quanto mais resistimos, mais as mesmas coisas ruins crescem, explodem na nossa cara. No exemplo das cantadas na rua, depois que eu parei de me importar, elas diminuíram. Fato. Se queremos que algo mude em nossa vida, precisamos olhar pra dentro e fazer escolhas que fluem melhor com nossa vida, e não que encontramos resistência.)

 

Foi só com uma certa idade
Que compreendi que a dualidade
É a didática usada pelo céu

(Essa parte é tão profunda que eu tenho até medo de ser muito rasa ao analisar. Bem, o conceito mais importante aqui é a dualidade. A dualidade é, simplesmente, o conceito de que tudo tem dois lados. Os dois lados da mesma moeda. Bem, mal. Bonito e feio. Certo e errado. Frio e quente. Guerra e paz. Vida e morte. E por aí vai. Sem uma coisa, a outra não existe. Nós experimentamos essa vida através de contraste, só sabemos o que queremos porque sabemos o que não queremos. Só entendemos o que é doce, se experimentamos algo amargo. Só vemos uma sombra porque há luz. Nós, seres humanos, temos o hábito (ou instinto?) de colocar as situações em caixinhas: isso é positivo, isso é negativo – julgando e dando opinião sobre todas as coisas. Não sei bem explicar a razão disso, mas o fato é que nós temos um “sistema de crença” que nos foram ensinados e entra também a moral e os bons costumes.

Há algumas atitudes, como matar alguém, que julgamos sendo negativa. Há lugares que a pena de morte é aceita. Não estou só falando de matar criminosos, mas de matar uma mulher que traiu o marido. Será certo matar a moça, ou não?

Se a gente for analisar com profundidade a questão da morte, podemos encontrar diversas pessoas que não ligam de tirar a vida de outra pessoa. Por exemplo? Um psicopata. Ele não sente compaixão pela outra pessoa, nem mesmo por si. Algumas pessoas não sabem o que é compaixão. Ele tem a razão dele para isso, e, como indivíduos, não podemos julgá-lo. Claro que, para uma convivência harmônica entre os seres humanos, foi “combinado” que as pessoas que matam as outras devem ser punidas, mas isso é uma convenção em prol da convivência. Não existe, necessariamente, certo e errado.

Se falarmos de vida eterna e karma, também podemos desconsiderar o ato de matar algo tão errado. Se nosso espírito é eterno, se o Universo é tão gigante, esse jogo da vida aqui na Terra é só uma passagem. Se uma pessoa mata outra, a alma delas talvez fiquem interligadas e terão que resolver seus conflitos em outras vidas. Se a pessoa que foi assassinada não cumpriu sua missão na Terra, ela nascerá de novo.

Veja bem, não estou falando que concordo com isso, só estou mostrando outros pontos de vista.

Por isso que o aborto é uma polêmica de grandes proporções: se consideramos matar errado, será que devemos ser a favor da legalização do aborto em nosso País? O que é certo, o que é errado? Ah, um dia eu vou escrever sobre isso, aguardem!

Na minha opinião, para lidar com a dualidade de forma mais leve, precisamos desapegar de nossas crenças limitantes e que não fazem sentido para nós e só viver com o que nos faz sentido. Normalmente, ao menos a partir da minha vivência, as pessoas prezam pelo amor e paz. Mesmo assim, algumas dessas pessoas matariam um político corrupto. Isso, pra mim, não é só incoerente, mas hipocrisia. Quando prezamos pelo amor e paz, temos compaixão pelas pessoas, pelo nível de consciência de cada um. Respeitamos o direito de cada um de viver suas verdades. Quando me deparo com uma coisa que julgo ruim, faço o seguinte processo: analiso a razão de julgar ruim a situação ou atitude de alguém; se essa situação não faz sentido pra mim, como a corrupção ou a desigualdade social, penso o que faço ou o que posso fazer, diariamente, para mudar a situação. Se eu analiso que já dou meu melhor, que eu tento influenciar as pessoas positivamente e tenho atitudes coerentes com meus ideais, sigo em paz. Se eu vejo que ainda não faço nada para melhorar a situação, foco em fazer algo. Mas não algo contra nada ou alguém, simplesmente a favor do que eu acredito. Se a circunstância que eu me encontro não faz nenhum sentido para mim e eu posso sair dela, eu saio. Outra coisa importante é aprender como ter jogo de cintura e tirar lições de situações consideras por nós negativas.)
Que toda a aventura humana
Por mais sagrada, por mais profana
É frágil feito um barco de papel

(Acho que vou compensar o textão dos outros parágrafos aqui: cara, a vida é muito frágil. Todos os seres humanos vieram de um útero e todos irão morrer. Não importa o quão santo ou o quão profano a pessoa é. Por isso, devemos viver intensamente e da melhor forma que encontrarmos, prezando pelo amor e paz, acolhendo nossos lados sombrios, identificando nossos gatilhos emocionais e, simplesmente, fazer nosso melhor. As regras da sociedade podem ser questionadas, principalmente para mudar e evoluir, porém devemos também respeitar essas regras ao ponto de não interferir na vida da outra pessoa.)

 

Acho que é isso, pessoal.

Se alguém tiver alguma dúvida sobre algum conceito que falei aqui, por favor, adoraria saber. Se alguém não concordar, também quero saber, mas faça isso com amor, por gentileza.

Gratidão, sejamos felizes!

 

O Rodrigo é o Forfun mais criticado e acredito que os pensamentos dele são os mais diferentes dos outros. Ainda assim, se foi ele quem fez essa música, ele arrasou. Eu amo todas as músicas do Forfun, eles conseguem traduzir muitas ideias boas em suas canções. Além disso, acho o Rodrigo o mais gracinha de todos - mas não se discutem questão de gosto!

O Rodrigo é o Forfun mais criticado e acredito que os pensamentos dele são os mais diferentes dos outros. Até onde eu sei, é por causa dessas divergências que a banda acabou :(. Ainda assim, se foi ele quem fez essa música, ele arrasou!!! Eu amo essa e todas as músicas do Forfun, eles conseguem traduzir muitas ideias boas em suas canções. Eu só não gosto tanto de Previsão do Tempo porque eu acho muito pessimista, hehe.